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Descaso do governo e o abandono da FUNED

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É lamentável e chega a ser desrespeitosa com os mineiros, com a ciência e principalmente com o erário e o patrimônio público de Minas, a atitude de descaso do Governo do Estado, em dois mandatos seguidos de Romeu Zema e agora de Mateus Simões, no trato das questões que envolvem a Fundação Ezequiel Dias (FUNED), uma importante referência da saúde pública, na prevenção e cura de doenças, para todo o Brasil.

Reproduzimos abaixo a manifestação de um servidor que, para evitar retaliações e perseguições, assina o texto como CUMPRAESTATUTO@GMAIL.COM, que deveria ser ligo com atenção pelos nossos deputados, pelo Ministério Público de MG, pelo Tribunal de Contas de MG, pelo Ministério Público Federal, pelo Ministério da Saúde e pela Polícia Federal.

Sempre e claro, se for para motivar investigações e providências. São fatos graves.

“FUNED ENTRE O SILÊNCIO E O DESMONTE: AS ALIANÇAS QUE NINGUÉM EXPLICA

O que mais chama atenção na leitura do boletim sindical assinado pelo SIND-Saúde/MG e no Relatório de Prestação de Contas da FUNED 2025 é justamente a ausência daquilo que realmente importa: respostas objetivas para os problemas que vêm comprometendo o futuro da Fundação.

O boletim do sindicato mais se assemelha a um amontoado de distrações, elaborado não para esclarecer ou defender os trabalhadores, mas para desviar o foco dos fatos centrais. O tom adotado transmite a impressão de um discurso cuidadosamente combinado com aqueles que supostamente deveriam ser criticados.

Após dois anos de silêncio absoluto, justamente em período pré-eleitoral, o sindicato reaparece em cena. A pergunta inevitável é: onde esteve durante todo esse tempo?

Desde 2023, a atual presidência da FUNED vem adotando medidas que, na avaliação de muitos servidores, enfraquecem progressivamente a fundação. E, diante disso, o sindicato permaneceu e ainda permanece em silêncio.

Entre os pontos mais questionados estão:
-a adoção recorrente de editais para contratação simplificada;
-a priorização, na diretoria industrial, de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) com laboratórios “amigos”, em vez de colocar em funcionamento as plantas próprias de produção de medicamentos e soros já certificadas pela ANVISA;
-no IOM, a insistência em conduzir um processo que pode resultar na entrega do Laboratório Central à iniciativa privada, em vez de fortalecer o instituto para disputar editais do Ministério da Saúde destinados justamente ao financiamento e fortalecimento dos laboratórios públicos do país;
-na DPD, a insistência na aquisição de biodigestores, enquanto equipamentos já existentes seguem ociosos ou subutilizados;
-na DPGF, uma lógica administrativa em que a área-meio parece agir como área-fim, promovendo gastos considerados excessivos e sem racionalidade estratégica, inclusive com recursos provenientes da triangulação de vacinas meningite C e outras fontes financeiras.

Em vez de um planejamento estratégico robusto, voltado à missão pública da FUNED e à prestação de serviços essenciais à sociedade, a percepção crescente é a de uma estrutura cada vez mais dependente de empresas terceirizadas. Isso só já é muito grave, porque a inversão de prioridades tornou-se evidente.

Na presidência da fundação, em vez de um gestor técnico comprometido com eficiência, legalidade e resultados, muitos enxergam a atuação de um ex-deputado estadual derrotado politicamente, marcado por posturas consideradas megalomaníacas e desconectadas da missão institucional da FUNED.

Diante desse cenário, causa estranheza a ausência de críticas contundentes no boletim sindical.

Não há questionamentos relevantes sobre:
o crescimento das contratações via MGS sem um plano consistente de expansão produtiva;
-a contratação de um software de R$ 89 milhões para a diretoria industrial, mesmo diante de uma produção considerada extremamente baixa e sem perspectiva concreta de ampliação;
-a falta de transparência quanto à real necessidade e proporcionalidade desse investimento.

Para muitos servidores, ferramentas modernas de inteligência artificial já seriam capazes de realizar gratuitamente boa parte do controle de estoques exigido pela ANVISA, com rastreabilidade e eficiência.

A sensação que permanece é a de uma aliança silenciosa e conveniente entre setores do SIND-SAÚDE/MG e assessores ligados à atual gestão da FUNED. Um silêncio que alimenta suspeitas de alinhamento político e institucional.

O próprio Relatório de Prestação de Contas da FUNED 2025 também levanta questionamentos. Em vez de enfrentar os problemas centrais, o documento transmite a impressão de ter sido produzido apenas para cumprir formalidades, omitindo temas essenciais.

Questões fundamentais seguem sem resposta:

Por que a meta de assinatura de contrato com o Ministério da Saúde para fornecimento de soros não foi alcançada?
Por que o contrato ainda não foi firmado?
Por que os aspectos relacionados ao possível leilão do Laboratório Central não aparecem no relatório?
Por que, após anos de estudos e mapeamentos de pessoal, ainda não foram abertos concursos públicos?
Por que as plantas industriais aprovadas e certificadas pela ANVISA seguem sem produzir medicamentos básicos para a população?
Por que a reforma do galpão da manutenção, especialmente sua parte elétrica, permanece inacabada?
E por que o Ministério Público de Minas Gerais abriu inquérito para investigar os recursos empregados nessa obra?

Diante de tantas omissões, cresce entre servidores e observadores a percepção de que existe uma relação excessivamente próxima entre setores da atual diretoria da FUNED, laboratórios privados e empresas contratadas.

Mais do que respostas, o que se percebe é o silêncio. E, para muitos, silêncio demais costuma significar uma omissão criminosa.

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