Quem leu o inquérito que a Polícia Federal tem em andamento sobre o projeto de destombamento da Serra da Piedade percebeu também como esses registros públicos são frágeis, bastando o conluio de meia dúzia de gangsteres da mineração, combinado com servidores públicos do IPHAN e do IEPHA para se arrastarem longas discussões sobre o absurdo destombamento de um monumento natural e histórico daquela importância.
Conhecida como a menor basílica do mundo, o Santuário de Nossa Senhora da Piedade, localizado na serra de mesmo nome, na cidade de Caeté, próximo de Sabará e de BH, cuja implantação naquele local remonta ao século XVIII, quase virou pó dentro de caçambas de mineração.
O bate-papo entre os empresários presos em razão do inquérito da Polícia Federal, parte da operação ‘Rejeito’, travado entre os detidos João Alberto Paixão Lages, Rafael Nogueira Brandão, Helder Adriano de Freitas, João Paulo Martins e a ex-superintendente do IPHAN, Débora França, demonstram até onde foi a fé dos envolvidos no próprio poder de fazer o que lhes interessasse.
Fácil, fácil, e tudo aquilo seria destombado, demolido e jogado por uma carregadeira dentro das suas carretas.
A quem isso interessaria, a Polícia Federal já começou a revelar. Frei Rosário, cuja memória é o registro de seu respeito e fé em Nossa Senhora da Piedade, deve estar inquieto onde estiver, rezando para que tais ameaças sejam jogadas lá de cima da serra, se possível, nas páginas do inquérito da PF.
Há, na mesma serra, uma mineração em plena atividade nesses dias; certamente a PF, a Semad e o Ministério Público devem estar atentos.
Vamos esperar.