CRAs são Certificados de Recebíveis do Agronegócio. Na verdade, seriam recebíveis se não tivessem pelo meio dezenas de equívocos ou caminhos alternativos, ou mesmo a recuperação judicial, fatos que podem acontecer na trajetória de cada uma das empresas emitentes desses CRAs.
Tudo muito natural, e a presença nas operações dos agentes securitizadores seria uma forma de alertar ou prevenir para as possibilidades de que tais certificados poderiam não ser recebíveis, nas condições como foram ofertados e vendidos. Os grandes grupos que venderam referidos CRAs, nesse caso a XP, estão confortáveis porque seu papel foi apenas o de oferecer a opção de investimento.
As securitizadoras, nesse caso a ECO Securitizadora, trabalhariam para acompanhar o desempenho dessas empresas emitentes dos CRAs, o que muito ajudaria na segurança das empresas do segmento financeiro que ofertaram tais certificados, mas também e sobretudo, dos investidores, para que esses não se vissem lesados.
Nessa dança, cada um recebeu o que lhe tocava: as corretoras, receberam suas comissões pela venda dos papéis; as securitizadoras, receberam seus honorários pelo trabalho de securitização (?). As empresas emitentes dos CRAs, estas colocaram em seus caixas o produto dos investimentos.
Quem perdeu até agora? Os investidores, que se acham sem resposta diante, por exemplo, do que restará após a recuperação judicial proposta pelas empresas Rações Patense e Lavoro Agro.
Esses investidores vão esperar pela sorte de que tais processos de recuperação judicial possam ser levantados, sem a perspectiva de falência das referidas empresas.