A preocupação que emerge dos corredores da Fazenda é outra. Não se discute apenas quem tem razão na disputa. Discute-se o efeito que ela produz.
Quando dirigentes sindicais passam a responder ações cíveis e criminais por textos críticos à gestão pública, a mensagem que chega aos demais representantes de categorias é simples: cuidado com o que dizem. E é exatamente aí que mora o problema.
A democracia não costuma morrer apenas pelos grandes atos de força. Às vezes ela se desgasta em pequenos constrangimentos, em sinais discretos de intimidação e na criação de ambientes onde o medo de falar passa a ser maior do que a vontade de criticar.
Se a liberdade de expressão é um valor absoluto quando protege governantes, deveria continuar sendo um valor fundamental quando protege seus críticos. Caso contrário, não estaremos discutindo liberdade de expressão. Estaremos discutindo privilégio de expressão.
E são coisas muito diferentes, diante das quais não podemos nos recuar e tolerar tais imposições. Questão de dignidade, de cidadania.