Infelizmente há evidências entre nós que o Ministério Público não consegue ver. Quem vê Minas Gerais com atenção percebe também que essa terra de montanhas esconde mais do que os desatentos conseguem ver. Enquanto o povo chora os mortos de Brumadinho e Mariana, nos bastidores da mineração, o que vemos é o sucesso do cinismo.
Trata-se do “complexo de vira-lata” invertido: aqui, o malfeitor não tem vergonha; ele tem gabinete, tem token e, sobretudo, tem o esquecimento providencial das autoridades. Estamos falando de uma empresa que a Polícia Federal talvez tenha esquecido de investigar. Uma empresa que presta serviços a uma mineradora lacrada, interditada, morta! E, no entanto, a prestadora respira. Mais do que respira: esbanja!
A JUCEMG mostra nos seus registros uma empresa com um capital social de R$ 10.000,00 (dez mil Reais, só). Qualquer economista de boteco, entre um gole de cachaça e um torresmo, diria: “isso não paga nem o cafezinho da diretoria”. Mas, na Rua Ontário, o dinheiro brota do asfalto como se houvesse um duto direto com o Banco Master.
A pergunta de qualquer um é como uma empresa que teve no seu caixa, para começar a trabalhar, R$ 10 mil honra uma folha de 15 funcionários “pejotizados” que recebem entre até R$ 15 mil por mês? Triste realidade, mas já de início a conta não fecha; os números são uma peça de ficção e a lógica é uma bofetada na inteligência.