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A simplicidade com que se tira uma vida humana

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Reprodução

Reproduzimos abaixo o texto da amiga e leitora da coluna, Palowa Mendes, especialista em Políticas Públicas, sobre o triste episódio ocorrido ontem, 11, em Belo Horizonte e que muito nos chocou.

Referimo-nos à morte brutal do gari Laudemir de Souza Fernandes, em pleno trabalho, por um assassino que agora tentam travestir de empresário de boa formação.

Sua insensibilidade e crueldade pode ser resumida na forma como ele, o assassino, comemorou seu ato, dirigindo-se a uma academia de ginástica como se nada tivesse ocorrido.

Esses são os cidadãos de bem que defendem a propriedade e o porte de armas de fogo e que o governo, de forma covarde, não se movimenta para revogar a lei que permite tal estupidez.

E o “patriota-cristão”, homem de família e de bem, matou Laudemir de Souza Fernandes, o Gari.

Assassinou o trabalhador porque o caminhão da coleta do lixo que produzimos atrapalhou o tráfego.

Nem todo “patriota-cristão”, mas sempre um “patriota-cristão” e sua amoralidade.

Atirou no homem que trabalhava porque não enxergava nele um ser humano, mas sim parte do lixo que ele limpava.

O “patriota-cristão” em seu figurino completo: empresário, bombado, de carro importado, pretendente a novo-rico, que, como os jagunços dos séculos escravagistas, se acham superiores — à época, aos negros escravizados, pois eram alforriados ou mestiços — a todos aqueles que estão abaixo do seu extrato social ou não se encaixam no seu padrão.

O “patriota-cristão” tirou a vida de um pai, de um filho, de um marido, de um cidadão, de um trabalhador, como se esmagasse uma sacola de lixo, e foi malhar para garantir o corpo sarado nas redes sociais e posar de macho rico.

Sem culpa, sem pesar, sem se importar com a morte que ficou estendida no asfalto, sem se intimidar com as testemunhas, por ter certeza de que pode matar.

Assim como tantos “patriotas-cristãos” que, em nome da moral, dos bons costumes, da família e de Jesus, têm matado, estuprado, violentado, agredido, mutilado, espancado, molestado… mulheres, trabalhadores, negros, pobres, indígenas, sem-terra, crianças, povos originários, LGBTQIA+, o vizinho, o motorista da frente, o torcedor de futebol, professores, cientistas, artistas, escritores, pensadores…

Mas o “patriota-cristão” assassino, meliante, bombado, que se acha um legendário “filho do Deus de Israel” higienista, vai descobrir que é apenas um eunuco no exército neoliberal e que nunca fará parte do seleto grupo dos senhores do dinheiro.

Sempre será uma montaria para a ganância de seus donos.

PALOWA MENDES – Especialista em Políticas Públicas

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Paulo Lasmar

O crime cometido é imperdoável. O detalhe da academia uma contundente demonstração de absoluta falta de compaixão pelo próximo. Absolutamente indefensável o ato praticado, uma barbaridade. Os garis, pelo relevante trabalho que executam em prol da saúde pública, merecem respeito, aplausos e admiração de todos.
Com relação ao tom político dado pela autora ao seu texto, faço apenas uma indagação: quantas mortes, miséria, ignorância e sofrimento um ex-operário que chegou à presidência por três oportunidades, além de uma ignóbil “presidenta” causaram a milhões de pessoas????? E o partido corrupto da esquerda ?????
O assassinato do gari não pode ser explorado politicamente, sob pena de caracterizar estelionato mental e baixeza moral.

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