Quando o ex-presidente Jair Bolsonaro perdeu a reeleição e seus apoiadores tentaram interromper a transição de governo, o país enfrentou uma crise inédita nos últimos anos. Inspirado em eventos como a invasão do Capitólio nos Estados Unidos, o episódio brasileiro de 8 de janeiro de 2023 mostrou a força de instituições democráticas e o papel da Justiça na proteção do Estado de Direito.
A britânica The Economist destacou o Brasil como um “caso de teste de recuperação após uma febre populista”, elogiando a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e a atenção da população frente às ameaças autoritárias. Segundo a análise, Bolsonaro, polarizador e apelidado de “Trump dos trópicos”, segue sob investigação e será julgado a partir de 2 de setembro, por suposta liderança de um plano de golpe de Estado.
Enquanto nos EUA processos semelhantes não impediram a volta de Donald Trump à presidência, o Brasil se destacou pela determinação em responsabilizar o ex-presidente, apesar de pressões internacionais e tensões internas. A revista aponta que o país, com memória da ditadura militar e democracia consolidada desde 1988, mostra um caminho de recuperação política mais sólido, oferecendo lições importantes para outras nações que enfrentam populismos extremos.
O caso também evidencia os desafios de um STF com poder amplo, que precisa equilibrar sua função de guardião da Constituição com a carga de decisões que recai sobre os juízes. Mas, para The Economist, o episódio brasileiro demonstra que é possível superar crises populistas sem abrir mão da democracia, abrindo espaço para uma política mais centrada e menos polarizada.