O governo de Minas Gerais, ao implementar o modelo de escolas cívico-militares, está tratando a violência nas escolas como se fosse um simples “caso de polícia”, quando, na verdade, é uma questão de políticas públicas mais profundas. O modelo militarizado, que já impacta mais de 700 escolas estaduais, não aborda as raízes da violência escolar, mas apenas mascara o problema com uma solução autoritária. Isso ocorre em um contexto de crescente precarização da educação pública, que não investe no que realmente importa: qualidade de ensino, formação de educadores e infraestrutura.
As críticas ao modelo de escolas cívico-militares foram levantadas por diversos parlamentares, como a deputada Lohanna (PV), que durante a Reunião Ordinária de Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) desta terça-feira (08), afirmou que o governo não forneceu informações claras sobre a implementação do projeto. Em sua região, ela ressaltou que “está difícil achar uma escola que não foi selecionada” para o programa, demonstrando a falta de diálogo com a comunidade escolar. Essa adesão massiva ao modelo, sem um debate mais amplo e transparente, levanta questionamentos sobre os reais objetivos da proposta.
Além disso, o projeto não é apenas uma tentativa de resposta à violência escolar, mas reflete uma postura do governo que trata problemas sociais complexos como algo que deve ser resolvido com repressão, e não com políticas públicas sociais. O modelo cívico-militar, em vez de promover a educação democrática, busca imitar a hierarquia militar, ignorando as necessidades pedagógicas e sociais das escolas. No caso de escolas como a do Bairro Rosaneves, em Ribeirão das Neves, que recentemente recebeu investimentos e avanços, a implantação desse modelo, segundo a deputada Andréia de Jesus (PT), é desnecessária e prejudicial ao avanço da educação local.
O fato de o governo priorizar a militarização das escolas em vez de investir em soluções estruturais e sociais mais profundas reflete um entendimento equivocado sobre a educação e a violência. A verdadeira solução para a violência escolar não é a imposição de um regime disciplinar autoritário, mas o fortalecimento de políticas públicas que ofereçam mais oportunidades e infraestrutura para os jovens, além de valorização dos profissionais de educação.
Esse movimento também revela um problema em relação ao financiamento do modelo, com salários de militares superiores aos dos próprios professores, o que desvaloriza ainda mais os profissionais da educação. Ao colocar os militares como parte da solução para a violência nas escolas, o governo ignora os problemas sociais que estão na base da violência, como a exclusão social, a falta de emprego e a ausência de políticas de saúde pública e assistência.
Portanto, o governo de Minas não pode tratar a violência escolar apenas como um “caso de polícia”. A solução está em políticas públicas que invistam no fortalecimento do ensino público, na melhoria das condições de trabalho dos educadores e na criação de ambientes de aprendizagem seguros e inclusivos, sem a imposição de soluções simplistas que reforçam a repressão, e não a transformação social.